LP 12″ – review (pt only)

Ghuna X (Marvellous Tone; 2011)
E ao quarto álbum chegou o vinil. Depois de Rokspace (CD), Patine (online) e A Grande Explosão (CD-R) chega um homónimo que têm mais ligações ao último registo devido ao estranho fascínio do Ghuna X pelos sons sintetizadores siderais dos “Cosmonautas-músicos” manhosos dos anos 70 e 80. Se eram manhosos há 30 anos, continuam a ser nos dias de hoje mesmo que se ponha carradas de Electrónica, Hip Hop e Dub de qualidade por cima.
Sendo um dos objectos fonográficos mais bonitos alguma vez feito em Portugal merece desde logo a nossa atenção. Merece desde logo a nossa atenção não ter uma bela capa serigrafada ou uma rodela de vinil transparente!
Merece atenção porque é um disco disfuncional, que promete algo que nunca dá. O seu possível roteiro de dança é desvido sempre. Os breakbeats brekam demais. Os sintetizadores vintage-foleiros interrompem-nos o bom-gosto. O dubstep não stepa nem duba como esperamos. No fundo é um disco sintonizado ao Universo porque como sabemos ele não funciona bem. As manias mecanicistas que o Universo é divino, perfeito e matemático são uma treta – ver as teorias das Borboletas, Entropia e Caos. Na verdade, basta imaginar isto, depois de milénios de angústia existêncial, de luta contra o Capitalismo, a Opressão e a salvar as baleias, imaginem isto, sim, imaginem isto: chega prái um meteorito e arrebenta com isto tudo!? Um bocado “injusto” não? Que se lixe o Descartes, viva o Ghuna X!
Não me entra este disco, desconfio que seja daqueles discos que só se vai perceber daqui a 30 anos, não querendo dizer isto que o Jean Michel Jarre será melhor 60 anos depois…


http://chilicomcarne.blogspot.com/2011/07/descartes-x.html

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